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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Não era tudo! Tem mais um pouquinho de história sobre os Wilburys...

Então... Por incrível que pareça tem mais, sim, de Traveling Wilburys.

Algum tempo depois do que contei no primeiro post, minha atenção foi novamente capturada. Com algum dinheiro na carteira em 90, 91, eu tentava achar o álbum do Traveling Wilburys para comprar, e o famoso Alemão, da Pop's Discos, me perguntou: "O Volume 1 ou o Volume 3?". Sem entender eu respondi, meio que jocosamente: "Volume 2" e fiquei mais surpreso quando ele retrucou "Volume 2 não existe, só Volume 3". Insisti, escancarando publicamente minha ignorância musical: "Esgotou?" e o Alemão, confirmando minha ignorância com letras maiúsculas: "Não, não existe, mesmo".

Comprei o Volume 1 nesse dia, em vinil, e num lance de sorte achei o Volume 3 uns anos depois, já em CD. E há muito pouco tempo, através de um amigo, fiquei sabendo que ambos, 1 e 3, ficaram fora de catálogo por muitos e muitos anos. Parece que agora dá prá comprar os dois, juntos ou separados, em versões simples ou luxuosas e cheias de história, que em muito poderiam melhorar este post.. Bom, dada minha notória ignorância no tema, acredito que o nível de informação aqui existente pode ser muito melhorado...

Mas ainda falta dizer como a banda surgiu. Deixei para o fim porque só obtive essa informação no fim, há uns poucos anos: "Handle With Care", a música que ouvi no rádio do Voyage, deveria ser o lado B de um single de George Harrison que teria como Lado A uma música de Cloud Nine (já falei deste também). O estúdio onde seria gravado tinha, nesse dia, em diferentes salas, vários velhos amigos de George Harrison. Ele resolveu mostrar a música e de repente até pegar um "backing vocals" deles. Todo mundo achou a música boa, e fizeram vários "takes" entre eles um em que não faziam backing, mas sim cantavam alternadamente, cada um deles, partes sucessivas da música. Foi a melhor versão, todo mundo achou bom demais para ser um Lado B, e resolveram lançar como um Lado A de um single de uma banda fictícia. Nasceu aí o Traveling Wilburys. Logo após a gravação do Volume 1 o Roy Orbison morreu. Por isso (ou não por isso, sei lá) nunca saiu um Volume 2. Mas em 1990 os quatro remanescentes resolveram gravar juntos de novo, e surgiu o Volume 3, não tão bom quanto o outro, mas muito bom. Destaco "New Blue Moon", uma música ótima para qualquer um que curte o rock básico do início dos anos 60, ou seja, Traveling Wilburys, sua mais moderna tradução.

E nestes tempos em que George Harrison juntou-se a John Lennon, Roy Orbison e tantos outros, formando uma super-banda do outro lado, vale a pena ouvir aqui três trechos de três músicas, só prá ficar com vontade de sair e comprar o box completo de Traveling Wilburys.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Então tá... Aí vai tudo o que sei sobre Traveling Wilburys

Pensei, pensei, e achei melhor terminar com o mistério: eu ainda não escrevi nada sobre Traveling Wilburys porque... porque... eu não sei NADA sobre Traveling Wilburys!!! Pronto!

Bom, sei alguma coisinha, mas acho que nem encher um post eu consigo.

Uma coisa que sei (e todo mundo sabe) é que Beatles é uma fonte inesgotável de referências musicais. É um caso à parte. Basta olhar. George Harrison, sua terceira força (terceira, veja só) foi o ator principal de milhares de coisas boas nos anos setenta (para quem duvida, ouça o álbum All Things Must Pass e depois a gente conversa). Ele andava meio esquecido nos oitenta, com umas acusações de plágio, umas histórias de adultério, traição e outras manchetes de jornal B, mas continuava sendo um Beatle, e isso não é pouco, não.

Aí eu comecei a ouvir no rádio de meu Voyage velho (logo depois roubado e nunca mais recuperado) a música"I've Got My Mind Set On You", uma balada sessentista e alegre, algo que realmente valia a pena e fazia de novo jus a George Harrison. O álbum era Cloud Nine, e fiquei esperançoso de que o cara havia voltado e de que a lacuna deixada pela morte do primeiro Beatle poderia finalmente ser parcialmente preenchida.

Não passou muito tempo e comecei a ouvir outra música com o mesmo pique. Mas tinha um "problema": O George Harrison cantava até um pedaço, depois entravam outras vozes se revezando. Uma delas parecia muito com a voz do Bob Dylan. Uma outra voz bem grossa eu tinha certeza que já tinha ouvido. Lembro ao leitor, uma vez mais, que nessa época (89, 90) não havia internet, e portanto cabia estudar. Mas as fontes eram pobres. Bizz, uns jornaizinhos mequetrefes de música, o que mais? Uma droga.

A música, "Handle With Care", trazia como intérpretes uns tais de Traveling Wilburys, uma banda composta por cinco sujeitos com sobrenome Wilbury. Se eu tivesse de imediato achado o álbum bastaria olhar a capa para saber que um deles era mesmo o George Harrison, e outro era mesmo o Bob Dylan. Então os nomes eram pseudônimos e provavelmente faziam parte de uma brincadeira. O sujeito com voz operística era Roy Orbison, alguém que naquele momento estava fora de meu espectro de conhecimento, mas que eu acabaria por conhecer melhor em 1990, na trilha sonora de "Uma Linda Mulher" com a música "Pretty Woman", um de seus maiores sucessos nos anos 60. Só que quando eu conheci "Pretty Woman" Roy Orbison já havia nos deixado (ele morreu ainda em 1988, logo após a gravação do disco Traveling Wilburys Vol. 1). E
havia ainda outros dois. Tom Petty, que eu desconhecia, e Jeff Lynne, que eu só conhecia através de sua banda ou ex-banda, Electric Light Orchestra, que eu, particularmente, não gostava. Mas os outros três valiam a pena. Valiam tanto que valem um segundo post. Dois posts de Traveling Wilburys?